(Não sei se aguento a vida)
- chamaram-me de poesia
Mentirosas. Com as suas dez letras.
Tanto sentimento esgrimido. Tanta pousia. Todas uma mentira. Todas. Nestes momentos precisos em que penso em ti sabes o que faço? Leio-as. Sinto ainda, – tudo. Sinto-o, não como sempre foi, mas como passou a ser desde o momento de lucidez. De repente um enjoo. Um regurgitamento azedo do putrificado alimento engolido. Um nojo na boca.
Leio-as. Os decisivos instantes em que te endereçavas a mim e logo o asco cá dentro. Sei o que mato. Sei-o bem em cada frase que mato mais do que o dobrar. Que com o retorno do ácido à boca mato-te mais do que só a mim. Que o repugnante gosto que sinto galvaniza um todo que és, que sou, que é, que são. Estou pronta para morrer ou para viver duzentos anos.