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Ridículo

1 Abril, 2012

Redículo é não gostar de cartas de amor. Sejam mensagens telegráficas sonoras, guardanapos de papel translúcido desenhados, baton num espelho, longas missivas nocturnas, fiquem guardadas entre os livros, nas memórias dos electrodomésticos, tenham cheiro de alfazema, bolor de caixa de sapatos, gordura dos armários da cozinha, terra sagrada, seja o vodka, ou o whisky.

Ridículo é viver ancorado nelas.

Ridículo

26 Janeiro, 2012

De repente, antes que perceba o como, uma pancada seca no retrovisor da direita e plof, lá foi o espelho. E não estou a falar dos sete, ou três, ou nove anos de azar que a sapientíssima sabedoria popular apregoa, estou a falar da falta que aquela pequena reflexão nos faz.

Pessoalmente acho extravagante partir espelhos. Profissionalmente acho afáveis os reflexos.

Mas os reflexos, se pensarmos bem, não nos fazem ir a consultas. Deixarmo-nos deslumbrar por uma imagem é patético. Desistir de um reflexo pode ser desagradável para o objecto.

Ridículo

17 Novembro, 2010

Uma conversa incontornável e que é de todas a mais ridícula é falar de merda. O cócó, o pupú, a caquinha, a merdinha. Nem falar do tempo é assim tão ridículo.

Por isso, se tem um bebé novo que faz muito, não faz nada, faz com barulho, faz em espuma, faz em castelo, faz como fizer, abstenha-se de falar sobre o assunto. Se tem prisão de ventre e não ganha nada em fazer publicidade aos laxantes que toma ou às bebidas super-naturais que consome, ignore as tripas em conversas privadas, particulares e deixe-as ao longe nas públicas.

É que cheire bem, cheire mal, seja duro, seja mole, seja regular, seja a dias, seja castanho claro, seja castanho escuro, seja como seja não há nada mais ridículo do que isso.

Ridículo

11 Junho, 2010

Por causa do índice no livrinho de auto-ajuda lembrei-me de dar algumas soluções para as arrumações, encaixotamentos, arquivos. Guardar coisas obedece a uma ciência própria e deve ser feito com cautela.

Se pegarmos no exemplo da roupa, quando mudamos de estação talvez não valha a pena guardar o que já não serve. Quando voltar a ver as roupas pode ser que estejam ainda mais justas e a decepção é maior. Assim,- ao arrumar, encaixotar, arquivar – lembre-se que nem tudo se guarda, algumas coisas são mesmo lixo.

Ridículo

21 Março, 2010

Um dia vou dedicar-me ao tempo no livrinho de auto-ajuda-  à chuva e à seca – à mania de cultivar a crença que a molha ou a seca dependem de rogar. É da rega que dependem e nem tudo quanto se molha cresce. O S. Pedro é muito difícil de controlar e para regar ou rogar é necessário tempo e a lenga-lenga do tempo não fala em água, ou crescimento, ou controle do tempo, ou no tempo, ou é tempo para me dedicar a isto do tempo enquanto atravesso meio país entre sol e chuva, no dia da Primavera, da árvore, da poesia e do sono – pelo menos duas não metem água e outra espera-se que pouca, já se virmos o que faz crescer…

Ridículo

13 Dezembro, 2009

Desconvença-se, uma das coisas mesmo brilhantes de ter um passado é poder contar histórias. Não sabe mais nem menos, mas pode contar histórias. Forçar as mãos, os pés, o corpo, o coração dá-lhe vida, alguma pelo menos.

No índice do livrinho de auto-ajuda que tem que ter algum equilíbrio entre capítulos, ou então sem equilíbrio nenhum.

Ridículo

3 Dezembro, 2009

No capítulo do corpo no livrinho de auto-ajuda irei salientar a fundamental distinção de algumas coisas. Se as pernas são tortas use calças. Se a barriga é mole use camisolas largas. Se a lolita, a Dolores, tem defeito, opere que ballet sem luz não tem graça. Você pode não ser perfeita mas é o uso que lhe dão ao corpo que o tranforma e, convenhamos, que não poder usar a Dolores ninguém merece. O resto disfarce e lembre-se que deitada, com todo o barulho das luzes, mal se nota e os cães não ligam a pernas, só quando as mordem.

Ridículo

6 Novembro, 2009

É não saber a sua idade. Convença-se de que a partir dos quarenta ou cú ou cara, escolha a que lhe traz mais lucros, benefícios, de onde tira mais vantagens e falsifique o bilhete de identidade. Algumas coisas só ao próprio dizem respeito.

(No capítulo físico do livrinho de auto-ajuda.)

Ridículo

17 Outubro, 2009

É não aproveitar o intervalo, deixá-lo sem qualquer utilidade. E precisar de um jardineiro. A terra trabalha-se, assim como nos intervalos. 

(Notas de pesquisa para o livrinho de auto-ajuda.)

Ridículo

26 Setembro, 2009

Só se fala do que se sabe e só se manda onde se pode, direi eu numa das páginas do livrinho de auto-ajuda que ando a indexar. Talvez acrescente umas notas sobre o falar e sobre o mandar, talvez porque certos assuntos não se discutem a não ser num concreto.

Ridículo

2 Julho, 2009

Ainda não falei do corpo no livrinho de auto-ajuda. Daquela massa que nos faz únicos – e todos sabemos que são os nossos defeitos que nos caracterizam, ou o excesso de beleza que nos transforma em deuses, –  começo hoje, e começo por baixo: se é mulher e não sabe andar com tacões altos, não ande. Fica com uma aparência semelhante à de um animal. Se sabe melhor, mas espero não ter que perguntar se anda todos os dias porque você já saberá que lhe faz mal, a não ser que os use para andar em cima de alguém e, se é esse o caso, aconselho o tacão agulha.

Ridículo

21 Maio, 2009

No livro de auto-ajuda tenho que pensar nos capítulos, no índice, por causa das respostas. O número importa.

-  Ou seja: Há coisas que não se duvidam, ordenam-se.

Ridículo

5 Maio, 2009

Já preparo respostas para o anunciado livro de auto-ajuda. Quando me perguntares se me considero ridícula por escrever um livro de auto-ajuda a minha resposta será: Qual é o ridículo da cura?

Ridículo

5 Abril, 2009

No livrinho de auto-ajuda, sem dedicatória, que ainda ando a escrever, continuo no capítulo das respostas.

Outra resposta universal é que quase nada depende nós, por isso, aplicar a máxima ‘Deixa arder que eu não sou bombeiro’ ajuda a evitar taquicardias e outras ias do género.

Ridículo

13 Março, 2009

Voltando às respostas, no livrinho sem dedicatória, muito antes das conclusões:

É sempre preciso um foco. Demasiada luz encandeia e não deixa ver nada. Ou seja, não se pode abraçar o mundo com as pernas, por isso, mais vale mantê-las abertas.

Ridículo

22 Fevereiro, 2009

No dito livro de auto-ajuda apercebo-me que devo dedicar mais tempo à razão do dito. Debruçar-me mais na necessidade do objecto na estante dos livros. Quando é que se vai ver se está ali? Quando se necessita de uma resposta. Instantânea. Sim é útil, concluo.

Ridículo

21 Janeiro, 2009

Ainda no capítulo das respostas, porque nunca há só uma, há várias.

- A segunda solução dos problemas passa pela mentira. Convencer-se de que se for da sua vontade acontece, faz com que aconteça.

Ridículo

17 Dezembro, 2008

Estou no capítulo das respostas. Naquele livro que estou a escrever de auto-ajuda.  A universal: apanhar ar. Apre. Resolve imensas coisas.

Ridículo

26 Novembro, 2008

 

  

Estou a escever um livro de auto-ajuda baseado numa teoria cósmica: o pó de que todos somos feitos, o som mineral da terra, que se ouve melhor de noite. A minha noite cheia de estrelas é escura.

 

(o mal que tu me fazes).

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