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Uma rosa é uma rosa

20 Março, 2012

E volto aqui de novo

19 Fevereiro, 2012

Ao lugar aonde sempre regressarei.

 

Até quando

26 Outubro, 2011

Pergunto-me. Faço-me a pergunta desesperada de pensar até quando te espero. Chamo o teu nome nas ruas vazias. Nem um som. Nenhum estalar dos ramos. O teu doce pedido matinal. O sofá a correr em fios de alegria sangrenta. Tudo o que era teu me faz falta agora. Os teus lamentos nocturnos se eu não te deixava ficar na cama. Não pensei neste final. Não pensei nisto nunca. Nesta angústia. Neste desamparo. A tua metade aflita. Um ridículo espectáculo na prateleira do nosso quintal. Sentirás tu a falta dos meus beijos nos ossos brancos junto aos teus olhos? Sentirás tu a falta do calor? A fome? O medo? A dor? Sentirás alguma coisa parecida com o que sinto? Não sentes o peso que sinto da morte. Não sentes o início do fim que não sei quando decretar. Não sentirás nada, ou sentes tudo sem saber como sentir. As lágrimas não as tens. Estão todas em mim. Gosto muito de ti. Serás sempre meu. Estejas onde estiveres. Sempre meu. Sempre.

Sim eu sei//Que tudo são recordações//Mas tu foste a mais linda história de amor// Que um dia me aconteceu// E recordar é viver// Só tu e eu

16 Setembro, 2011

Não sei como foi acontecendo o milagre. Não sei como consegui sobreviver a tanta beleza e maravilha. Tanto céu estrelado. Tantos miados na janela molhada. Não sei de onde tem chegado o vinho tinto, ou aquele especialmente gelado branco. Os dias correm. As felicidades acumulam-se. Sim, sim, muitas desgraças foram acontecendo também, mas que nos interessam agora? Que falta nos fazem? Como às letras que se comem, se anulam ou se separam, ao ritmo dos dedos. Sem a revisão, nada.

Aconteceu-me e pronto. Numa escada com cheiro de gato Fenício. Numa viagem de azul, azul. No vento na árvore do meu quintal.

Em Novembro voltará a festa. Em Novembro voltará tudo, mas na verdade foi em Setembro que tudo começou.

Vitória

18 Maio, 2011

Se contar, ainda que pelos dedos, tenho mais amigos e camaradas de braços do que dedos.

Um dia mostro-vos as minhas mãos. Um dia poderão ver que cada dedo tem um nome, um defeito grosseiro, uma unha que persistentemente trato, uns ossos irregulares, uma pele que o cobre e que se está a transformar numa pele dura, e como são grandes e fortes.

Na eterna busca da beleza, a que alguns chamam de felicidade, a dúvida denotada de nada nos serve.

Como posso eu explicar-me?

20 Abril, 2011

Não é saudade nem carência, é falta de sumo em tangerinas cheias de sementes e ásperas. Ideias profundamente intrincadas num mapa qualquer entre os mais de quarenta sinais só num braço.

Nunca falo da Cassiopeia, de minaretes e de caleidoscópios. São-me  recorrentes numa qualquer visão ensolarada ou ausente. Nunca falo dos concursos de gemadas, da janela de Cascais, das lágrimas do sul de Inglaterra. Dum tempo submerso entre mais de mil passos, dez mil fôlegos, milhões de pancadas nas pernas negras.

Por cima de mim um espaço. Em cima de mim um espaço. E tão longe e tão novo.

Uma vez dormi com os pés ao contrário e vi um espelho dourado pousado no tecto. Um rapaz tarzan e uma rapariga ouriço. Um homem azul e uma menina lua. Um homem abraço e uma mulher sonho. À flor da pele, olhos nos olhos, dedos tocando os pêlos.

No fundo do mar deve haver algum brilho que me pareça a luz reflectida de tudo o que não vi.

Gato de óculos ou galinha com ovo dourado

7 Setembro, 2010

Não estivesse eu tão cheia acharia que andava vazia…

Uma coisa em forma de assim

5 Julho, 2010

Talvez ajude tanto mar. À água não lhe pesam os corpos. E estarem 30 graus depois da meia-noite. E eu cheirar bem e ter a pele macia. Talvez seja da limonada. Ou do riso.

Um dia serei uma história

14 Junho, 2010

Por isso me espalho em palavras. Por isso me transformo em vento.

Nunca Mais Este Momento Será Teu

25 Maio, 2010

Parecem ondas suaves e quentes. Ondas azuis.

“Dia e Noite

Pouco a Pouco

de Azul em Azul”

“E Nunca Mais

O Mesmo Sol,

O Céu,

A Terra,

Nunca Mais”

Estou prestes

26 Janeiro, 2010

Monsieur blanc-blue,

Desculpa-me. Em todos os meus seres, e nomes, e vidas, desculpa-me a preocupação.

A Vida É Como Pintar as Unhas Num Comboio

23 Janeiro, 2010

Se eu tivesse muitas palavras diria que é um disparate em primeiro lugar. De quando em vez, naquele momento em que assistimos, em pé mas oscilando, ao nascer do dia. De um laranja improvável num daqueles dias do inverno. Neste momento António, dirijo-me directamente a ti, vamos classificar os laranjas e os azuis. E os negros, a beleza de todos aqueles negros sem olhos. Não te estou a falar de caveiras, de  homens enrrugados, que mexem as mãos de verdade, até são capazes de as queimar. Se usar agora o tom das searas de aveia e trigo, das ovelhas pelas searas. Dói aquilo tudo ali, como quando se abandona. Quando se faz uma viagem assim, não nos permitimos incomodar, estamos a recolher o tempo todo num frasco. Não me sento na cadeira que não tem o meu número e espero sempre que me venham sentar, acho aquilo tudo tão educado. Espero, que me custa a mim esperar? Eu tenho tempo para estar ali a esperar. Se queres saber, enquanto eu espero consigo ver coisas com uma nitidez impressionante. Mas nesses momentos impressiona-me a manipulação do sentimento. E sabes que no final gosto da apoteose da natureza. É só nesse momento que se resolve a vida. Confronta-se na tua cara e não há mais nada a fazer.

Robespierre

2 Dezembro, 2009

 

AAAAAAAAAAAAAAA!

(Oiçam-no como uma erupção.)

Ritornello

30 Outubro, 2009

A vergonha do passo saltitante.

A timidez pelo barulho dos pés no caminho.

O pau ou a corda que lhe servem de apoio.

O medo das penas das aves que se comem.

A ruptura das águas nos diques.

O tempo como objecto amarelo.

(A inofensiva ausência da música para repercutir o sentimento.)

Abracadabra

10 Outubro, 2009

Quando se abrem portas [e vê-mos o que está lá dentro]… e se fecham essas portas, a que velocidade se fecham? E reabrem-se essas portas?

- Ficamos encostados à porta ofegando? Ficamos a vigiar a porta estrangulando o respirar?

 

E se se escancarancam logo a seguir as portas? E se se fecham espiolhando? E se se abrem com prudência? E se se espreita na direcção certa? E se aguardamos que a porta se abra? Como queremos que abram a porta? E estamos como enquanto esperamos? E quanto tempo nos dura a esperança? 

E se não se abrem portas? E se não as quisermos reabrir? Nem esperamos que se abram de novo?

Gente

21 Setembro, 2009

Humilde. Que lava a própria roupa e a estende nas cordas. Ficam estendidas sem hierarquias as intimidades coloridas, brancas e escuras. A baloiçarem na altura.

Como eu. Às vezes como eu. Iguais a mim.

“- Porque os pobres também sentem as suas dores.”

“- Mas esquecem-nas depressa diante de um prato de comida.”

Os pobres não me pertencem. Só conheço gente que sente. Sentiu. Riu e chorou. Gente que sonha. As que se arrepiam com a água gelada do mar e não hesitam em banhar-se. As que se entusiasmam com um abraço. Com o céu cheio de estrelas. Com o som das folhas das árvores quando vem vento. Que preparam surpresas. E viagens em conjunto. Que partilham as alegrias e a mesa. Que não temem o toque nem o grito. As que desistem e mudam de sentido. As gentes que se penduram na mesma janela a ver a mesma esquina. “Sentir que não se está sozinho nisto, ainda que se esteja realmente, é o melhor que podemos sentir.”

Nightmare

6 Agosto, 2009

Gosto do som desta palavra. Lembra-me um grupo de metal que tem uma balada com uma oração. Lembra-me a minha oração que eu repetia com a minha mãe, todas as noites, antes de dormir. Lembra-me um filme com uns efeitos-especiais que me marcaram imenso. Lembra-me um barco no mar numa noite muito escura. Lembra-me uma raposa e um príncipe. Lembra-me um sonho, na noite passada com tanto de incongruente quanto de plástico besuntado a sair de buracos. Lembra-me os cabelos dele negros. Lembra-me uma escada muito longa e uma bruxa que queria matar o meu pai. Lembra-me o grito mudo que não consegui dar uma noite que acordei com a cabeça nos pés da cama. Lembra-me o excesso da anatomia dele e o mal que me fazia. Lembra-me as portas que rangem. Lembra-me os sítios apertados onde enfiava o corpo todo escondida. Lembra-me um poço. Lembra-me as cordas a apertarem pulsos. Lembra-me os homens pendurados em cordas pelo pescoço. Lembra-me as mães de negro sentadas nas praças. Lembra-me uma boca aberta. Lembra-me uma voz metálica a sair das colunas. Lembra-me o suor que escorre na fronte. Lembra-me a água opaca e sombria dos rios. Lembra-me os homens nas esquinas. Soa bem esta palavra: night-mare.

Sobriedade

2 Agosto, 2009

 

Parece uma chaga cheia de pus e pústulas. Os níveis de resistência ao abjecto são grandes e o controle apertado. As verdades inconfessáveis sempre a latejar nesta infecção generalizada. Roedores de patas viscosas alimentam-se destas erupções e não se consegue enxotar os parasitas. Os cheiros pútridos. Os olhos baços com as órbitas salientes e amarelas. A imagem de um horror que não se quer ver mas ao mesmo tempo a aberração obriga-nos a continuar a cheirá-la.

Tenho uma viagem para fazer contigo.

24 Julho, 2009

No real e presente. Uma viagem programada, que eu quero e que pelo menos já esteve nos teus anseios. Sabes que só duas vezes convidei alguém realmente para o bacalhoeiro. Não te contei do bacalhoeiro, um dia conto-te. 

Contigo gostava pelo menos de fazer uma, mas consigo desejar mais. Sério, uma viagem com mota e outra de camião. Fáceis as duas, uma mais demorada, a outra mais divertida. Mas fazia as duas contigo. Agora que é verão e que sabe tão bem viajar devíamos fazer a viagem, mas para isso precisava de te convidar. Pois era, precisava de te convidar.

stravaganza

12 Julho, 2009

Idiotas: quando não sabem quanto sal pôr. Tenho-o dito mais de mil vezes, não o torno a repetir ou começo a achar que são todos atrasados mentais. Ou que falo para surdos. 

O palato e o descontrole dos sentidos não se sente com calma, acontece num vapor enebriante.

Acabei de ver quatro pessoas com quatro sacos plásticos brancos na mão. Cada uma transportava um pedaço de uma história. Uma mulher, por exemplo, transportava uma banheira onde se banhou apressadamente. Cada um transportava um saco cheio de equívocos. Um saco com asas, daqueles sacos simples e comuns dos supermercados, mas não tinham marca, eram só a embalagem comum do equívoco.

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