Ontem uma noite como não me lembrava: o corpo com um peso desumano, equilibrado sobre o colchão, sereno. O frio molhado na almofada e as palavras em rol ali retidas. Umas paredes moucas. Um corpo ferozmente pousado. Os pés quentes. O respirar seguro. Quebro-me mal possa quebrar-me. O corpo cansado. Finalmente cansado. Tudo me sabe já a final. Amargo gosto. Sem asas, nem guelras. Como um guarda-nocturno se protege da humidade do ar. Poder agora encontrar a cova e deixar de questionar: o que tens feito por ti ultimamente? O que tens feito por ti ultimamente?
Fecha o olhos. Sente o peso do corpo a entrincheirar-se na cama. Espera pelo grupo de cães que em breve te vai rodear. Daqui a nada perdes os braços. Depois as pernas. E depois deixas de gritar.