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Se os lugares não mais nos relembrarem

18 Maio, 2012

o cinema português,

Se perdermos um tempo de movimento, um tempo de silêncio,

Se o estremecimento de uma história nunca mais for sentido,

Eu verterei uma lágrima num gesto simples de quem já não pode nada,

Eu arrepanharei os dedos num gesto contido de raiva.

(…)

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

(…)

Herberto Helder

 Súmula

(Poemacto, 1961)

(Poema completo em Poesia.ii)

Como eu

16 Maio, 2012

em ti.

 

(Dura como a granítica milenar. Insensível como a vontade do céu.)

E depois tudo se resume à infância

11 Abril, 2012

E de lá chegam todas as respostas. E todos os gestos. E todas as falhas. E todos os objectos. E todos os cheiros. E todas as manias.

E antes ainda da simplicidade da adolescência.

E antes ainda de tudo. Do sítio onde são feitas as primeiras marcas. O sítio onde cabem todos os sonhos.

Se eu estiver a ficar estúpida e

15 Abril, 2011

não fizerem nada quanto a isso serão castigados com uma falta de inteligência maior que a minha.

Se estiver a ficar previsível e domesticada e não me disserem, em menos de nada estarão transformadas em gatas borralheiras cheias de caruncho nas mãos e nos pés.

Se estiver a ficar molengona e não me espetarem alfinetes eu juro que uso os bonequinhos de vodu com as vossas lindas carinhas e espeto-vos eu as alfinetadas para ver se aprendem.

Mas é tão bãm.

6 Maio, 2009

É tão bãm, repete-me ele. Talvez os textos curtos sirvam para letras de músicas. Foi tudo fingimento. Eu não senti nada.

Cuspo e vejo a cor do meu cuspo depois de te cuspir.

Enten – Eller

7 Janeiro, 2009

‘Tudo é igualmente possível na possibilidade e o homem, verdadeiramente educado por ela, compreende-lhe o horror tanto, pelo menos, quanto aos seus risonhos apelos.’

‘Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu.’

‘O tempo das infantilidades já passou.’

‘O pensador tem necessidade de abstracção, de elevação para lá dos sentidos, de inversão, do pressentimento, de indução, de dialéctica, da dedução, da crítica, da reunião dos materiais, do pensamento impessoal, da contemplação e da visão sintética, e, último ponto mas não o menor, de justiça de amor em relação a tudo o que existe – mas na história da vida contemplativa, todos estes meios, tomados isoladamente, tiveram valor de fim, de fim afinal, e ofereceram aos seus inventores esta felicidade que enche a alma humana assim que surge o clarão dum fim final.’

Kierkegaard, Sartre, Marx e Nietzsche.

Ou um outro lado

7 Janeiro, 2009

Estarei já ridícula? Que cara é esta? Este nariz assim? Parece que está diferente deste lado. E que cresceu. O cabelo parece igual, só está maior. Recupera-se. O resto da cara. Bem, tirando os excessos não está mal. Mas está diferente sim. Tem expressões novas. Posições frequentes, pequenos tiques criaram já alguma coisa. Não é mau, é ténue a diferença, mas efectua-se. Começou já a degradação toda. Já tudo virá em excesso.

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