Até ao fim – várias vezes

18 Dezembro, 2011

Hoje procurei várias vezes o fim. O homem que me persegue na cabeça tem uma imperfeição grosseira na pele, mesmo por baixo do olho esquerdo. Eu perdoo-lhe essa imperfeição escura que, se ele a visse, em menos segundos que os cinco dramáticos últimos que da mesma maneira estão dentro da minha cabeça, desaparecia.

O Homem dentro da minha cabeça
Tem uma força magnética. Atraí sobre si uma vontade de o imortalizar. Reparo que, se o tivesse conhecido no Verão não teria sobre mim o mesmo impacto centrífugo. Revela-se no fim do ano a tal profecia jocosa reservada para todos os que partilham comigo o pecadilho zoológico. Tem os cabelos compridos, um rabicho sem jeito no final da nuca. Mas o Inverno, este glorioso e ameno Inverno, põe-lhe o gorro ou o chapéu de campesino de tweed preto no crânio e ele arrebatou-me.

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