Pergunto-me. Faço-me a pergunta desesperada de pensar até quando te espero. Chamo o teu nome nas ruas vazias. Nem um som. Nenhum estalar dos ramos. O teu doce pedido matinal. O sofá a correr em fios de alegria sangrenta. Tudo o que era teu me faz falta agora. Os teus lamentos nocturnos se eu não te deixava ficar na cama. Não pensei neste final. Não pensei nisto nunca. Nesta angústia. Neste desamparo. A tua metade aflita. Um ridículo espectáculo na prateleira do nosso quintal. Sentirás tu a falta dos meus beijos nos ossos brancos junto aos teus olhos? Sentirás tu a falta do calor? A fome? O medo? A dor? Sentirás alguma coisa parecida com o que sinto? Não sentes o peso que sinto da morte. Não sentes o início do fim que não sei quando decretar. Não sentirás nada, ou sentes tudo sem saber como sentir. As lágrimas não as tens. Estão todas em mim. Gosto muito de ti. Serás sempre meu. Estejas onde estiveres. Sempre meu. Sempre.