Dizer-te que quero o que quiseres dar. Dizer-te que afinal não quero nada. Que enceno o final. Que retiro todas as cores do palco para o fazer negro. Que te diga que tenho medo de errar e o fechar antes. De perder tudo. Que não tenho medo de nada e que avanço. Que me sinto na noite que encerro e que a mesma noite me enche o canceroso fruto da alma. Que lamento o grito que fica aqui retido nas cordas vocais gastas. A boca aberta num pasmo. A saliva a secar. O olhos a encherem-se de mel e fecharem-se. Que é tudo mentira. Ou fábula. Que bonita noite escura. Onde o preto não é cerrado e ouvimos. Que quando oiço a minha cabeça se baixa. E que é o som que ouço que me faz abrir os olhos. E que se a seguir sorrir é porque era a noite boa. Que não é nada disto, que só me afogo. Que ressuscito. Que me lambo como se fosse um tambor. Que arranco as peles das unhas com as unhas. Que arroto o almoço ao jantar. Que não quero perder nem ir a jogo. Que consigo dizer-te um drama em tom de festa. Esfregar-me numa parede em lascívia enquanto te canto a morte de Inês. Um disparate que me tem tão longe de tudo. Que me pesa nas pernas que não tremem, mas estancam no caminho. Secam no passo que se arrependem. E é preciso correr. E dizer-te o que tem interesse. Que eu preciso tanto de voar. De dar um início.
19 Maio, 2009 às 11:22 am
Claro. Voar é preciso. Note suas asas interiores. O início já vem de longe. Sinta a frescura do universo. Não carregue peso nas penas.
19 Maio, 2009 às 9:51 pm
o problema não é levantar voo. estamos sempre mais ou menos disponíveis para isso. o problema é onde se quer aterrar. vá la a sensatez alheia escolher por nós o poiso. vá lá! de uma vez.
20 Maio, 2009 às 6:53 pm
quando temos medo, significa que temos algo a perder. tem medo. e continua a voar.
22 Maio, 2009 às 3:26 pm
Ontem, tarde na noite, disseram-me: ‘tu és muito medrosa não és?’ E parece que tenho medo de tudo.
23 Maio, 2009 às 10:48 pm
Um indio Iaqui disse que os quatro inimigos do homem são: medo, lucidez, poder, velhice (nesta ordem), todos conquistáveis. O medo é uma ilusão que se vence enfrentando-o de frente. A partir daé vem lucidez… etc. etc.
5 Junho, 2009 às 2:59 pm
o medo não é um problema… todos temos inúmeros e inomináveis medos. o problema é se nos impedem de fazer aquilo que gostamos… é preciso estar atenta… só isso…