Reunir. Reunir-te. Reunir-me. Reunir-nos. Reuniríamos. Reunido.
- chamaram-me de poesia
Reunir. Reunir-te. Reunir-me. Reunir-nos. Reuniríamos. Reunido.
É um país de brutos. Brutos todos os dias; de todas as horas, de todos os minutos da sua miserável e rica existência que regam com vinhos de reserva que bebem de copos que cagam com os beiços engordurados. Não ouvem de outra maneira senão com o medo, com o susto. E eu que gosto tanto de dizer que há duas coisas que não faço: correr e gritar…
E vai ser um grande dia. Nem pode ser de outra maneira.
paramp.paramp.paramp.
eu - Estas palavras todas vêm na sequência do ‘doce’ de ontem?eu - Estas palavras todas vêm na sequência do ‘doce’ de ontem?Eu não sou nem um problema, nem uma razão.Nem uma causaNem nada.Deves estar a recriar vários robots, não sei,tu não és eu,
essa parte não é minha,dentro da minha parte repito: nem uma razão. Nem uma causa.Como cheguei, vousem peso nenhum.ele - A tua ironia fere às vezes.eu - …De qualquer modo fiquei a pensar no que acontece àqueles que não tentam contrariar o que parece ser uma inevita-bilida-de. Vale sempre a pena rever coisas arrumadas quando os murmúrios delas insistem em
sussurar-nos, assim como que por acaso.
ele – Não tinha se calhar entendido que estavas se calhar tão a sério no teu texto de “correcção de definições”.
eu - É simples, é uma troca. É um mundo merca ntilista onde não se separam nunca as emoções porque não somos robots.
São as trovoadas de Maio.
No livro de auto-ajuda tenho que pensar nos capítulos, no índice, por causa das respostas. O número importa.
- Ou seja: Há coisas que não se duvidam, ordenam-se.
Dizer-te que quero o que quiseres dar. Dizer-te que afinal não quero nada. Que enceno o final. Que retiro todas as cores do palco para o fazer negro. Que te diga que tenho medo de errar e o fechar antes. De perder tudo. Que não tenho medo de nada e que avanço. Que me sinto na noite que encerro e que a mesma noite me enche o canceroso fruto da alma. Que lamento o grito que fica aqui retido nas cordas vocais gastas. A boca aberta num pasmo. A saliva a secar. O olhos a encherem-se de mel e fecharem-se. Que é tudo mentira. Ou fábula. Que bonita noite escura. Onde o preto não é cerrado e ouvimos. Que quando oiço a minha cabeça se baixa. E que é o som que ouço que me faz abrir os olhos. E que se a seguir sorrir é porque era a noite boa. Que não é nada disto, que só me afogo. Que ressuscito. Que me lambo como se fosse um tambor. Que arranco as peles das unhas com as unhas. Que arroto o almoço ao jantar. Que não quero perder nem ir a jogo. Que consigo dizer-te um drama em tom de festa. Esfregar-me numa parede em lascívia enquanto te canto a morte de Inês. Um disparate que me tem tão longe de tudo. Que me pesa nas pernas que não tremem, mas estancam no caminho. Secam no passo que se arrependem. E é preciso correr. E dizer-te o que tem interesse. Que eu preciso tanto de voar. De dar um início.
“É esta a razão por que todos os grandes Mitos são violentamente trágicos, a ponto de não poderem imaginar, a não ser numa atmosfera de carnificina, tortura, derramamento de sangue, todas as efabulações magníficas que narram às multidões a primeira divisão sexual e a primeira carnificina de essências, que se produziram na criação.”
Quase me perdi na carta, como n’O Teatro E O Seu Duplo.
Chego até aqui,
Antonin Artaud.
Mulher – Não como quero que elas sintam, mas como eu sinto.
(A expressão que se segue é demasiadamente ouvida.)
Mulher – É muito difícil, é como se já tivessem começado em muitos lados.
(A sensibilidade do corpo dela é extrema e simples.)
Mulher -Tenho o pescoço que está preso à cabeça que se enruga.
(A cara dela em erres.)
Ser sem sexo – Foi por um triz agora. É que estava mesmo-mesmo em cima do buraco.
Outro Ser sem sexo – Porra, nem digas isso.
Ser sem sexo – Ia ficar tão fodid… ui.
Outro Ser sem sexo- Fodid? Porra, eu insultava a minha mãe e a tua. Nem gaguejava.
Ser sem sexo – Let’s get Cornelia é tudo o que me sai agora.
O meu lugar à mesa é sempre à direita do meu pai. Não faço substituições. Ocupo o meu lugar que está vazio até eu me sentar.
Ateimo. Ateimo e hei-de ateimar nisto dos dias.
Essa configuração particular que nos une a nós, no feminino. Esse poderoso feminino, dizem-me que astuto e sábio. Aceitamos as modificações. A parecença dos dias. Dos dias entre nós. Sinto bem a raça em mim e vejo essa raça em vós. A força do Dias.
- Posso? Então quero.
E num repente chegam os pic-nics; as sardinhas noutro sítio, com bancos; tu ao fogão e o cheiro em água quente na minha boca; o leite que tu preparas; a flor; o beijo; o abraço; o toque da mão, que não importa que sue; o corpo todo, assim simplesmente de corpo inteiro; o lume; as pernas abertas durante o sono; os parágrafos que leio; os múrmurios suaves; a vontade de ouvir-te dizer que gostas de mim e que sim, que sentes a minha falta, e que isso seja verdade. Não há nada que se compare àquilo que eu desejo. Nada.
Tudo o que se escreve é entulho. Mas tu fazes-me tão bem. Por estares assim, ao meu lado enquanto deixamos, num acto extremista, que o sol nos bronzeie, a olhar a água, as margens da água, o reflexo das margens na água. (Aguanta Carmencita, mi cariño, aguanta.)
- Apetece-me cobrir de folhos pretos todos os candeeiros. Cobri-los com o estrondo de castanholas. Serem eles o meu véu de viúva a recordarem-me, – porque é preciso que reste memória!- o meu luto.
A barba, ou um outro pêlo qualquer, muito rijo. Não é uma anedota. Eu conto-te uma anedota, só para ti, quiero decir que te aguantes, cariño, siempre queda “un algo”:
A poesia escrita merece ser lida uma vez e deveria destruir-se depois.
Eu digo que assobio no escuro e que não te deixo ir.
É tão bãm, repete-me ele. Talvez os textos curtos sirvam para letras de músicas. Foi tudo fingimento. Eu não senti nada.
Cuspo e vejo a cor do meu cuspo depois de te cuspir.
Já preparo respostas para o anunciado livro de auto-ajuda. Quando me perguntares se me considero ridícula por escrever um livro de auto-ajuda a minha resposta será: Qual é o ridículo da cura?
Não fiz do meu corpo um barco, nem amputei as minhas pernas para delas fazer remos para deixar de remar agora.