Arquivo para Maio, 2009

repetição

28 Maio, 2009

 

Reunir. Reunir-te. Reunir-me. Reunir-nos. Reuniríamos. Reunido.

you know what I. mean

26 Maio, 2009

É um país de brutos. Brutos todos os dias; de todas as horas, de todos os minutos da sua miserável e rica existência que regam com vinhos de reserva que bebem de copos que cagam com os beiços engordurados. Não ouvem de outra maneira senão com o medo, com o susto. E eu que gosto tanto de dizer que há duas coisas que não faço: correr e gritar…

E vai ser um grande dia. Nem pode ser de outra maneira.

paramp.paramp.paramp.

Olha o robot

24 Maio, 2009

eu - Estas palavras todas vêm na sequência do ‘doce’ de ontem?eu - Estas palavras todas vêm na sequência do ‘doce’ de ontem?Eu não sou nem um problema, nem uma razão.Nem uma causaNem nada.Deves estar a recriar vários robots, não sei,tu não és eu,

                                                                                                                              essa parte não é minha,dentro da minha parte repito: nem uma razão. Nem uma causa.Como cheguei, vousem peso nenhum.ele - A tua ironia fere às vezes.eu -  …De qualquer modo fiquei a pensar no que acontece àqueles que não tentam contrariar o que parece ser uma inevita-bilida-de. Vale sempre a pena rever coisas arrumadas quando os murmúrios delas insistem em
sussurar-nos, assim como que por acaso.

  ele – Não tinha se calhar entendido que estavas se calhar tão a sério no teu texto de “correcção de definições”.

eu - É simples, é uma troca. É um mundo merca ntilista onde não se separam nunca as emoções porque não somos robots.

 

tout simplement

23 Maio, 2009

 

 

 

 

São as trovoadas de Maio.

Ridículo

21 Maio, 2009

No livro de auto-ajuda tenho que pensar nos capítulos, no índice, por causa das respostas. O número importa.

-  Ou seja: Há coisas que não se duvidam, ordenam-se.

(notas pessoais)

18 Maio, 2009

Dizer-te que quero o que quiseres dar. Dizer-te que afinal não quero nada. Que enceno o final. Que retiro todas as cores do palco para o fazer negro. Que te diga que tenho medo de errar e o fechar antes. De perder tudo. Que não tenho medo de nada e que avanço. Que me sinto na noite que encerro e que a mesma noite me enche o canceroso fruto da alma. Que lamento o grito que fica aqui retido nas cordas vocais gastas. A boca aberta num pasmo. A saliva a secar. O olhos a encherem-se de mel e fecharem-se. Que é tudo mentira. Ou fábula. Que bonita noite escura. Onde o preto não é cerrado e ouvimos. Que quando oiço a minha cabeça se baixa. E que é o som que ouço que me faz abrir os olhos. E que se a seguir sorrir é porque era a noite boa. Que não é nada disto, que só me afogo. Que ressuscito. Que me lambo como se fosse um tambor. Que arranco as peles das unhas com as unhas. Que arroto o almoço ao jantar. Que não quero perder nem ir a jogo. Que consigo dizer-te um drama em tom de festa. Esfregar-me numa parede em lascívia enquanto te canto a morte de Inês. Um disparate que me tem tão longe de tudo. Que me pesa nas pernas que não tremem, mas estancam no caminho. Secam no passo que se arrependem. E é preciso correr. E dizer-te o que tem interesse. Que eu preciso tanto de voar. De dar um início.

18 Maio, 2009

 

 

 

(Não sei se aguento a vida)

trigésima quinta carta

15 Maio, 2009

“É esta a razão por que todos os grandes Mitos são violentamente trágicos, a ponto de não poderem imaginar, a não ser numa atmosfera de carnificina, tortura, derramamento de sangue, todas as efabulações magníficas que narram às multidões a primeira divisão sexual e a primeira carnificina de essências, que se produziram na criação.”

Quase me perdi na carta, como n’O Teatro E O Seu Duplo.

Chego até aqui,

 

 

Antonin Artaud.

É como se já tivessem começado em muitos lados.

14 Maio, 2009

Mulher – Não como quero que elas sintam, mas como eu sinto.

(A expressão que se segue é demasiadamente ouvida.)

Mulher – É muito difícil, é como se já tivessem começado em muitos lados.

(A sensibilidade do corpo dela é extrema e simples.)

Mulher -Tenho o pescoço que está preso à cabeça que se enruga. 

(A cara dela em erres.)

Let’s get Cornelia

12 Maio, 2009

Ser sem sexo – Foi por um triz agora. É que estava mesmo-mesmo em cima do buraco.

Outro Ser sem sexo – Porra, nem digas isso.

Ser sem sexo – Ia ficar tão fodid… ui.

Outro Ser sem sexo- Fodid? Porra, eu insultava a minha mãe e a tua. Nem gaguejava.

Ser sem sexo – Let’s get Cornelia é tudo o que me sai agora.

À direita do meu pai

11 Maio, 2009

O meu lugar à mesa é sempre à direita do meu pai. Não faço substituições. Ocupo o meu lugar que está vazio até eu me sentar.

A letra dos dias

8 Maio, 2009

Ateimo. Ateimo e hei-de ateimar nisto dos dias.

Essa configuração particular que nos une a nós, no feminino. Esse poderoso feminino, dizem-me que astuto e sábio. Aceitamos as modificações. A parecença dos dias. Dos dias entre nós. Sinto bem a raça em mim e vejo essa raça em vós. A força do Dias.

 

- Posso? Então quero.

E num repente chegam os pic-nics; as sardinhas noutro sítio, com bancos; tu ao fogão e o cheiro em água quente na minha boca; o leite que tu preparas; a flor; o beijo; o abraço; o toque da mão, que não importa que sue; o corpo todo, assim simplesmente de corpo inteiro; o lume; as pernas abertas durante o sono; os parágrafos que leio; os múrmurios suaves; a vontade de ouvir-te dizer que gostas de mim e que sim, que sentes a minha falta, e que isso seja verdade. Não há nada que se compare àquilo que eu desejo. Nada.

Dizem os outros

7 Maio, 2009

 

 

Tudo o que se escreve é entulho. Mas tu fazes-me tão bem. Por estares assim, ao meu lado enquanto deixamos, num acto extremista, que o sol nos bronzeie, a olhar a água, as margens da água, o reflexo das margens na água. (Aguanta Carmencita, mi cariño, aguanta.)

- Apetece-me cobrir de folhos pretos todos os candeeiros. Cobri-los com o estrondo de castanholas. Serem eles o meu véu de viúva a recordarem-me, – porque é preciso que reste memória!- o  meu luto. 

A barba, ou um outro pêlo qualquer, muito rijo. Não é uma anedota. Eu conto-te uma anedota, só para ti, quiero decir que te aguantes, cariño, siempre queda “un algo”:

A poesia escrita merece ser lida uma vez e deveria destruir-se depois.

Eu digo que assobio no escuro e que não te deixo ir.

Mas é tão bãm.

6 Maio, 2009

É tão bãm, repete-me ele. Talvez os textos curtos sirvam para letras de músicas. Foi tudo fingimento. Eu não senti nada.

Cuspo e vejo a cor do meu cuspo depois de te cuspir.

Ridículo

5 Maio, 2009

Já preparo respostas para o anunciado livro de auto-ajuda. Quando me perguntares se me considero ridícula por escrever um livro de auto-ajuda a minha resposta será: Qual é o ridículo da cura?

Comer o coração

4 Maio, 2009

Não fiz do meu corpo um barco, nem amputei as minhas pernas para delas fazer remos para deixar de remar agora.